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Ainda sobre Pais e filhos

Na semana passada falamos sobre a existência de três padrões comuns de dar e receber, entre pais e filhos que são prejudiciais ao amor, segundo Bert Hellinger, criador da terapia da Constelação Familiar.  Hoje vamos falar do segundo padrão: quando os pais tentam dar e os filhos tentam receber o que é prejudicial.

Algumas pessoas podem estar se perguntando, dar e receber o que?

Quando nos referimos ao movimento de dar e receber, nos referimos a dar e receber qualquer coisa, material ou imaterial.

O que Bert tenta ensinar quando se refere ao segundo padrão é que os nossos pais dão aquilo que podem, dentro das suas limitações e nível de compreensão. E muitos filhos tem dificuldade de reconhecer o que de melhor recebem dos pais desviando a atenção para aquilo que lhe falta.

Por exemplo, uma mãe solteira, que cria o filho praticamente sozinha e que necessita trabalhar muito para poder oferecer ao filho uma boa escola, atividades extraescolar como natação, inglês, música, etc. Não pode dividir o seu tempo para dar-lhe atenção acompanhando-o em suas tarefas, sendo necessário deixa-lo com uma cuidadora. Quando maior,  esse filho deixa de reconhecer o esforço da mãe para lhe oferecer o que há de melhor, para se queixar da falta de tempo para com ele.

Ora, provavelmente, não fosse esse esforço da mãe, esse filho ficaria impossibilitado de ter adquirido tantos conhecimentos proporcionados por ela, e deixaria de usufruir de uma educação de qualidade.

Sabemos que o ideal, seria a mãe dividir o seu tempo, destinando ao filho a atenção necessária, e por amor, foi essa a forma que acreditou ser a melhor. E quando os filhos deixam de reconhecer aquilo que de melhor os pais puderam fazer por eles, envolvem os pais em um processo de culpa, aprisionando-o, deixando de usufruir o que há de melhor. O que de mais precioso eles lhe deram: a VIDA.

Sendo assim, por piores que sejam as circunstancias que um filho foi criado, mesmo que tenha sido abandonado, esse filho deve ser orientado a agradecer pela vida que recebeu dos pais. Focar esse bem divino que é a vida e agradecer por sua existência. Fazer da vida recebida o melhor que estiver ao seu alcance.

Segundo Bert Hellinger, os filhos que se queixam  dos pais sobre o que deixaram de receber ficam impedidos de viver o amor, a vida plena e criam para si  muitas limitações de ordem afetiva, material e financeira.

Além de tudo isso, muitas crianças tentam se envolver no relacionamento dos pais, tomando para si situações que não lhe dizem respeito. O que pertence aos pais deve ser deixado com eles para que resolvam.

Em outros momentos os filhos sentem-se obrigados a dar aos pais aquilo que não podem, muitas vezes, invertendo os papeis causando uma desordem. Mais esse assunto diz respeito ao terceiro padrão que será  abordado em nosso próximo artigo.

Acompanhe!

Artigo publicado no jornal Diário de Ilhéus em 23/06/2017.

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