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O suicídio sob a ótica da visão sistêmica.

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Vivenciar um suicídio de um ente querido deve ser muito doloroso. Nem imagino a dor que é. Perder uma pessoa próxima quando está doente é algo bastante desafiador e é um processo que, por mais doloroso que seja, de certa forma, quando é algo sem solução, a nossa Alma vem sendo preparada para aceitar essa passagem. Embora existam pessoas que possuem maior dificuldade de aceitação.

Agora, quando uma a pessoa morre de infarto, assassinato, acidente de carro e suicídio, nos tira do chão de forma brusca. Pelo menos, foi assim comigo, quando perdi meu irmão, em um acidente de carro. Porque se trata de algo inesperado. A pessoa é retirada de cena sem despedidas. Sem um adeus. É uma dor insuportável. Tão grande que nem queremos contato com ela. Deixando transparecer até indiferença. No entanto, sabemos tratar-se de uma fuga.

Dentre essas formas de morrer, a mais dura, para mim, é o suicídio. Por que passamos a nos sentir co-responsáveis e encher a cabeça de perguntas: Por que não percebi que ele(a ) estava com problemas? O que poderia ter feito para ter evitado? Por que não dei mais atenção? Por que não percebi que estava com problemas? Por que…., por que…?

O fato é que todos nós pertencemos a um sistema familiar e estamos vinculados a ele pelo amor. E, esse amor é tão profundo, que de forma inconsciente, desejamos proteger aqueles que pertencem ao sistema.

O suicídio, na visão sistêmica, é uma forma, inconsequente de fidelização com os nossos antepassados, ou mesmo com pessoas que pertencem o nosso sistema recente. E, por traz de um suicídio, normalmente, existe uma dinâmica oculta de ir ao encontro de alguém que também cometeu suicídio na família. Como se uma voz interna dissesse , “eu sigo você!”

Em outras situações, percebe-se o desejo de se expiar uma culpa, algo de responsabilidade pessoal. Por exemplo, um aborto provocado, ou a entrega de um filho para adoção. Para compensar a culpa, se paga com danos próprios pelos prejuízos causados a outros. Assim, “ameniza-se” a culpa com a expiação para restituir o equilíbrio. Nesse caso, o número de prejudicados se amplia, alimentando assim a energia da destruição e desequilíbrio.

Acessamos a dor dos nossos ancestrais pela ressonância de Campos Mórficos, conceito trazido pelo biólogo e filósofo da natureza chamado Rupert Sheldrake, onde cada espécie animal, vegetal ou mineral possui uma memória coletiva a qual contribui todos os membros da espécie a qual formam. Cada um de nós, traz a memória não só da história da Humanidade, como também a memória familiar, tendo ou não convivido no mesmo espaço ou tempo. Podemos observar padrões que se repetem nas famílias, como, por exemplo, um avô que suicidou-se, e filho e neto perpetuando um movimento.

A solução acontece na medida em que compreendemos a dinâmica oculta que está por trás desses padrões. A terapia da Constelação Familiar vem contribuindo muito de forma a revelar o que está por trás de padrões, inclusive de suicídios, trazendo movimentos para que esse padrões sejam interrompidos para as futuras gerações.

Artigo publicado no Diário de Ilhéus em 22/09/2017

Eulina Lavigne é mãe de três filhos, Administradora, Terapeuta e Palestrante com formação em Constelação familiar pelo Hellinger-Institut Landshut (Alemanha), especialista em Trauma pelo Instituto Junguiano da Bahia. Formada em Experiência Somática e membro da Associação Brasileira de Trauma. Email: eulinaterapeuta@gmail.com | site: http://www.eulinaterapeuta.com
WhatzApp: 71-99979-3433 Tel: 73-99129-3439

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