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Existe livre-arbítrio?

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Esse é um tema bastante polêmico. Eu acredito no livre arbítrio e entendo que dessa forma podemos ser responsáveis por nossa existência na Terra. E percebo que há muitas pessoas que desacreditam no livre-arbítrio, compreendendo que não temos o controle sobre o que nos acontece.

Sob esse ponto de vista, eu concordo pois quando desejo controlar, reconheço apenas uma verdade: a Minha; pois algo precisa ser do jeito que eu acredito que deva ser. Entro na dualidade do certo e do errado, do bom e do ruim, do mal e do bem. E, de fato, inexiste uma única verdade. Explicarei esse olhar com um trecho do livro de Bert Hellinger, As Ordens do Amor, pg.15, sobre a liberdade.

Um discípulo perguntou ao mestre: “Diga-me, o que é a liberdade?”
“Que liberdade?”, perguntou o mestre.
“A primeira liberdade é a estupidez. Lembra o cavalo que, relinchando, derruba o cavaleiro, só para sentir depois o seu pulso ainda mais firme.
A segunda liberdade é o remorso. Lembra o timoneiro que, após o naufrágio, permanece nos destroços em vez de subir ao barco salva-vidas.
A terceira liberdade é a compreensão. Ela sucede à estupidez e ao remorso. Assemelha-se ao caule que se balança com o vento e, por ceder onde é fraco, permanece de pé.”
“isso é tudo?”, perguntou o discípulo.

O mestre lhe respondeu. “Algumas pessoas acham que são elas que procuram a verdade de suas almas. Contudo, é a grande Alma que pensa e procura através delas. Como a natureza, ela pode permitir-se muitos erros, porque está sempre e sem esforço substituindo os maus jogadores. Mas aquele que a deixa pensar recebe dela, às vezes, certa liberdade de movimento. E como um rio que carrega o nadador que se deixa levar, ela o leva até à margem, unindo sua força a dela .”

Nesse diálogo entre o mestre e o discípulo, identifico três reações: a primeira, a negação e a revolta; a segunda, o remorso e a culpa e a terceira, a aceitação e compreensão. Nesse sentido penso que aí está o nosso livre- arbítrio de poder percorrer esse caminho e escolher reverenciá-lo da forma que é, sem entrar no conflito. Eu escolho vivê-lo até o momento que posso me retirar dele em paz; e não por uma exigência social.Por exemplo, muitas vezes vivenciamos relacionamentos que sabemos serem prejudiciais a nossa vida e não conseguimos nos desvincular. Por mais que escutemos de pais, amigos e familiares que é melhor se desvincular daquela pessoa que está lhe trazendo sofrimento, o nosso desejo é de estar perto dela. E quando desejamos ficar e o mundo lá fora pede para sair, entramos no conflito e, cada vez mais, ficamos emaranhados.

Reverenciar o que é, da forma que se apresenta, nos vai proporcionando um entendimento e aprendizado; e esse movimento é que nos liberta. Esse é o meu entendimento seguindo o olhar sistêmico, pois, nesta vivência, existe uma dinâmica oculta ainda não revelada.

Quando escolhemos ficar, porque há um desejo incontrolável, e viver o que precisa ser vivido, permitimos que o oculto seja revelado e vemos o que precisa ser visto. Assim, nos libertamos.

E viva a liberdade para viver o que é preciso para aprendermos que o importante é ser feliz!

Artigo publicado no jornal Diário de Ilhéus em 27/10/2017

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