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Não perca aquilo que você não tem: o tempo!

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“És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho, Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
vou te fazer um pedido”… pare de correr das nossas vidas!

Sinto que a humanidade, com raras exceções, vive correndo atrás de algo que, de fato, não existe: o tempo. E quanto mais corremos atrás de algo que não existe, mais ficamos sem tempo. Já parou para pensar sobre isso?

Conta-se que o tempo foi criado pelos Sumérios, há 2000 a.c que viviam no sul da Mesopotâmia e dividiram o dia em 12 horas para o dia e 12h para a noite, formando assim as 24h. E temo que, em breve, alguém proponha a ampliação do dia para 48h. E me pergunto: onde será que vamos parar?

Alerto que temos um tempo interno que precisa ser respeitado. Essa falta de respeito com o nosso relógio interno, vem causando uma desordem em nosso sistema nervoso, trazendo stress, ansiedade, depressão, apenas para citar alguns desses efeitos. Há aí uma desordem, pois temos tempo para o outro, para o trabalho, mas abrimos mão do nosso tempo interno. Para quê mesmo?

Todos os seres vivos possuem um relógio biológico que vai sofrendo alterações de acordo com a idade e com o momento de vida em que se encontram. Portanto, há que se respeitar e considerar que devemos impedir que o tempo criado pelo homem invada o nosso tempo interno, sob pena de piorar a nossas relações e qualidade de vida.

A retina, o hipotálamo e a glândula pineal, são os órgãos responsáveis pela regulação do nosso relógio biológico. A retina é quem informa ao nosso corpo se é dia ou se é noite, e o hipotálamo processa essa informação que estimula ou inibe a produção de melatonina pela glândula pineal. A melatonina é o agente químico que regula o nosso relógio biológico e esse último controla os nossos sistemas a exemplo do sistema digestivo, excretor, o sono e a vigília, sistema hormonal, temperatura do corpo….

Agora, imaginem o quanto esse nosso relógio está desregulado em função da falta de tempo para dormir, se alimentar, deixar o corpo descansar, se divertir, conversar com calma com os familiares e amigos?

As redes sociais, e principalmente o WhatsApp, são os “despachantes” do nosso tempo. São utilizados para agilizar a venda de um imóvel, para dar recados, para enviar relatórios, para arranjar um namorado…. Nossa Senhora nos acuda! Parece que estamos sempre “devendo” uma resposta, uma atenção, uma mensagem… São mesmo necessárias?

Com isso, as pessoas não têm mais tempo para uma boa conversa no telefone e quando desejam conversar perguntam se pode ligar pelo WhatsApp para garantir o seu tempo de conversa. Sim, pois se você liga sem avisar, corre o risco de ter uma conversa de doido, pois o outro pode estar colocando a roupa para lavar na máquina, enquanto faz o seu jantar e bate o suco no liquidificador. Sendo assim, você é obrigado a repetir “centas’ vezes a mesma coisa e aí meu amigo a conversa fica insustentável.

Sem contar com aqueles que aproveitam a espera do trânsito para te ligar acionando o bluetooth e, de repente, grita de lá: “Depois eu te ligo pois estou estacionando no supermercado!”. E você do outro lado da linha, que parou o seu trabalho para escutar o outro, fica estressado. Chega! Já avisei: “Só me liguem quando tiverem tempo para uma boa prosa!”

Resultado: há tempos o meu telefone não toca! Que saudade do telefone de fio curto que pelo menos nos mantinha parados no lugar!

Mas, pensando bem, estou achando que esse artigo é para a geração antiga, pois a nova geração, provavelmente, já vem chegando com o seu relógio biológico ajustado para a grande revolução tecnológica que nos aguarda. Arrepio-me só de pensar!

Vou ficando aqui com Alberto Caeiro, heterônomo de Fernando Pessoa, que diz:

Não tenho pressa.
Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
Não; não sei ter pressa.

Artigo publicado no jornal Diário de Ilhéus em 09/02/2018 e no blog do Thame:

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