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Ai se fosse o meu filho!

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Ai se fosse meu filho agredido por esse marginal! Ia conhecer o inferno por que aqui não ficaria mais! Li essa postagem nas redes sociais sobre a morte estúpida de um rapaz que solitário na madrugada retornava do carnaval e foi agredido com um soco e chutes certeiros por quem também foi agredido no meio dos foliões.
E fiquei a pensar nas mães, tanto do agressor como do agredido e como mãe de três filhos fiquei com o meu coração apertado. Por que ambas perderam um filho para a vida.

E sem jamais fazer apologia ao crime, tinha vontade de conhecer a vida de ambos os jovens, e quero crer que muitos de nós iria se sensibilizar com as diferentes dinâmicas de vida e talvez compreendesse o que nos falta.
Em seu livro as Ordens do Amor, Bert Hellinger conta uma historinha que relatarei aqui um trecho dela, por julgar suficiente para compreendermos essas diferentes dinâmicas.

“Alguém nasce na sua família, na sua pátria, na sua cultura. Desde criança ouve falar de seu modelo, professor e mestre, e sente um desejo profundo de tornar-se e ser como ele.

Junta-se a pessoas que têm o mesmo propósito, disciplina-se por muitos anos e segue seu grande modelo, até que se torna igual a ele – até que pensa, fala, sente e quer como ele.

Entretanto, julga que ainda lhe falta um coisa. Assim, parte para uma longa viagem, buscando transpor talvez uma última fronteira na mais distante solitude. Passa por velhos jardins, há muito abandonados, onde apenas continuam florescendo rosas silvestres. Grandes arvores dão frutos todos os anos, mas eles caem esquecidos no chão porque não há quem os queira. Daí para frente, começa o deserto.”

Primeiro vamos olhar para o mestre. O mestre pode ser Jesus, Buda, e bem no início da nossa existência pode ser o pai, a mãe, um avó, um tio. E se tenho como referencia um mestre que se desvia dos nossos conceitos morais, sem julgamento, vou aceita-lo como mestre, pois garantir o seu amor é garantir a minha sobrevivência. E então como fico?

Vou para a vida nos caminhos desvirtuosos e a vida me baterá até que um dia, quem sabe ,deseje seguir de fato o meu caminho, o caminho do mestre maior que é o AMOR.

E quem irá segurar nas minhas mãos e me dizer que posso ser um bom fruto e me tirar desse caminho tão duro e desvirtuoso, ou me dizer que por não ter mais jeito vou apanhar até desfalecer? E como andar sozinho por esse deserto, em busca do amor se ninguém quer esse fruto que cai no chão e apanha até derrubar o outro também?

E que efeito dominó teremos se derrubamos uns aos outros com chutes e pontapés, com raiva das injustiças da vida? Onde vamos chegar? Como encontrar a paz que tanto discursamos e pouco praticamos?

Não devemos ter piedade daquele que segue os caminhos desvirtuosos, pois assim tiramos a sua dignidade e a capacidade de alterar a sua condição. Devemos sim ter compaixão e exigir que a educação seja igual para todos. Exigir que professores, médicos e todos aqueles que cuidam da nossa segurança sejam bem remunerados. Sejam respeitados no exercício das suas profissões.

Caso contrário, entraremos em uma profunda depressão, descrentes de nós mesmos e talvez, um dia, no fundo desse poço encontraremos chão para olhar para as nossas sombras e resignificar os nossos conceitos.
Vou sempre com fé e que o grande mestre olhe para todos os nossos filhos.

Artigo publicado no Diário de Ilhéus em 23/02/2018 e no blog do Thame em
http://www.blogdothame.blog.br/v1/2018/02/24/ah-se-fosse-meu-filho/#more-73320

um comentário

  1. Somos o resultado dos nossos sentimentos e das nossas emoções… e o que temos para oferecer ao outro enquanto sociedade? Quais os direitos e deveres para comigo mesmo e para com o outro? E a nossa responsabilidade como família, como cidadão? Precisamos urgente de amor; do amor que acolhe, do amor que alimenta esperança no presente e num futuro de: trabalho, dignidade, respeito, fé, amorosidade e confiança.

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