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Fazer escolhas e abrir mão.

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Quando você era criança ouviu alguém lhe pedir para ficar quieto senão o bicho papão iria lhe comer? Ou lhe dizer que se fizesse isso ou aquilo a bruxa malvada lhe levaria para a casa dela e lhe prenderia na gaiola tal qual fez com o Joãozinho e Maria? E o lobo mau?

E você fez o quê? Desafiou a bruxa, o lobo mau e o bicho papão? Ou se apegou ao medo?

Pois é, a grande maioria de nós desde cedo aprende a cercear os desejos e ações e ficar imobilizado e acomodado em função do medo. Diante de uma ameaça de vida ou morte você vai fazer o quê? Obedecer! E o pior é que é uma ameaça de morte que não existe!

Quando cerceamos as nossas ideias e desejos somos levados a controlar os nossos impulsos e as nossas ações, e quando isto é feito por meio de uma ameaça tudo fica pior, pois, uma hora “a vaca vai para o brejo e torce o rabo”.

Se os nossos desejos e ideias são tolhidas de forma autoritária em algum momento entraremos em um embate e, buscaremos o controle ou com uma passividade dissimulada, ou com agressividade, ou com pirraça, seja de que forma for vamos buscar.

Embate de lá e embate de cá implica que alguém terá que ceder se desejam uma solução. E penso que essa concessão se torna mais saudável por meio do diálogo. Por meio da escuta, da reflexão e da percepção de que muitas vezes aquilo que acreditamos ser o certo nem sempre é. Da clareza de que os padrões sobre os quais fomos educados já não cabem mais no momento atual.

O fato é que se pensarmos que todo conhecimento é incerto talvez possamos criar uma abertura e nos abstermos de uma ideia fixa. Podemos fazer uma autocrítica e compartilhar experiencias que possam enriquecer os nossos processos reflexivos e por meio do diálogo integramos outras possibilidades de ser.

Acontece que escolher ser de uma forma diferente, ou reconhecer que desta forma não dá mais, implica em abrir mão, implica em responsabilidade. Implica em deixar para trás ideias, ações, coisas, caminhos, problemas e inclusive pessoas.

E não vamos pensar que esta é uma decisão fácil, pois, muitas vezes desejosos de manter a nossa auto-imagem, e até para não contrariar ou dar o “braço à torcer” e manter o controle, mesmo sabendo que estamos errados, seguramos a nossa posição até o fim. E por vezes, essa atitude enrijece tanto o nosso corpo que adoecemos diante da nossa falta de flexibilidade.

Quando abrimos mão liberamos. Liberamos a nossa mente, o nosso corpo para que uma nova energia flua e possamos nos mover para novas direções, desafios e possibilidades.

E quantas vezes evitamos tomar decisões e nos apegamos com unhas e dentes àquilo que sabemos não nos servir mais? Ficamos em um conforto desconfortável. Compliquei?

É o que podemos chamar de forma camuflada de conforto. Por que no fundo o que está por trás deste “falso” conforto e acomodação é o medo daquele “bicho papão e da bruxa malvada”. Medo da reação que os outros possam ter diante da nossa atitude, diante da expressão dos nossos pensamentos, sentimentos, do nosso Ser. É a tal da falta de autoconfiança. O medo de não suportar tudo isto e morrer.

Como diz o meu querido Raul Seixas precisamos perder o medo, o medo da chuva, pois a chuva voltando prá terra traz coisas do ar e aprender o segredo, o segredo, o segredo da vida, vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar!

Testo publicado e republicado no jornal Diário de Ilhéus em 31/08/2018 e 6/09/2019 e no blog do Thame em 01/09/2018/ 07/09/2019 em http://www.blogdothame.blog.br/v1/2019/09/07/fazer-escolhas-e-abrir-mao-2/#more-94181

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