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“Que mal lhe fiz para estar tão furioso com você?”

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Obviamente que esta frase não é minha e por esta razão se encontra entre aspas. A primeira vez que a ouvi, em minha formação em Constelação Familiar, confesso que tomei um susto. Fiquei um tempo meio que estonteada até a ficha cair.
Como assim, furiosa comigo?

Esta frase, no fundo, é uma provocação do Bert para que percebamos que muitas vezes a raiva que transferimos para o outro, no fundo, é uma raiva de nós mesmos. Será que despertei a sua raiva quando você leu isto?

Então, deixe-me explicar melhor. Muitas vezes, eu disse, na maioria das vezes, a raiva que sentimos do outro é na verdade a raiva que sentimos de nós por deixarmos de ter algum tipo de ação para evitar que aquilo que me fez mal acontecesse.

Será que repeti, ampliei ou compliquei? Será que ao ler você negou isto ou ficou com raiva de mim? Ou teve um insight, tipo eureca!

Acho melhor eu exemplificar logo antes que você rasgue este artigo de raiva.
Quando sinto raiva de uma pessoa por ela ter passado na minha frente em uma fila de supermercado, na verdade, tenho raiva de mim mesma por não ter tomado uma atitude para impedi-la de passar.

Trazendo para a nossa atualidade, estamos presenciando um sentimento de raiva por este ou por aquele partido, na figura dos seus representantes, que na verdade quer expressar a raiva que tenho da minha, da sua, da nossa falta de ação, participação, permissividade e letargia sobre a “coisa pública”.

Se eu não tenho condições, ou por que me falta paciência, ou tempo, ou tolerância, para participar dos espaços públicos, tipo a Câmara Legislativa, ou Conselhos diversos, preciso levar à sério os candidatos que escolho nas suas devidas instâncias.

E a que ponto a sua raiva chegou topando entrar numa luta de embate entre este ou aquele candidato diante de tantas outras opções?

O fato é que, como diz Bert Hellinger, em vez de se impor, receber ou tomar o que lhe falta, fica enfurecido e zangado com as pessoas de quem não tomou, não exigiu ou não pediu, sabendo que podia ou devia ter agido desta maneira.

O interessante é que, muitas vezes não nos damos conta de que repetimos as ações as quais repudiamos, e ficamos com raiva quando as mesmas são realizadas por aqueles que deviam nos representar. Será que não estão a nos representar e estamos com dificuldade de ver?

Vou lhe dar um pequeno exemplo. A semana passada fui conhecer uma Hamburgueria artesanal, e enquanto aguardava escuto algumas moças comentando sobre o casamento do último sábado. E uma delas disse assim: Nossa! Como a sua mesa estava bem servida pelo garçom! Ele passava sempre com bebidas e comidas! Quando a outra retrucou: lógico! Meu marido deu R$50,00 para o garçom nos servir, pois senão sairíamos mortos de fome!

Se assustou com o que leu? Eu também.

Só não me engasguei porque ainda estava a esperar o meu pedido. E é assim que acontece! Morro de raiva do que aí está posto e não me dou conta do quanto que faço parte disso em pequenos atos. Que pode ser como este que citei acima, ou dando uma quebrada em uma contramão, ou furando uma fila no mercado, ou dos carros que aguardam a entrada em um estacionamento.

Estou dizendo isto para mim, para você e para todos nós refletirmos o quanto somos responsáveis por tudo o que estamos vivenciando. E se isto é possível, é também possível revertermos esta situação e buscarmos agirmos na retidão sem achar que estamos com cara de palhaços ou de bobos na corte.

Quero acreditar que existem pessoas do bem e competentes para nos representar, principalmente no Congresso e nas esferas estaduais e municipais.

Será que ficou com raiva de mim? Não tem problema, pois aí eu lhe pergunto: O que foi que eu fiz para estar tão furioso com você?

Artigo publicado no jornal Diário de Ilhéus em 05/10/2018 e no blog do Thame.

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