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Fugir, lutar, ficar imobilizado ou sacudir a poeira e seguir?

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Durante os meus 57 anos de idade eu jamais presenciei uma eleição que causasse tanta polêmica, discórdias, agressões, rupturas e experiências traumáticas.

A experiência traumática passa a ser traumática, já comentei em artigo anterior, não pelo evento em si, e sim pela forma como o nosso sistema nervoso reage diante do evento. Esta é uma visão trazida por Peter Levini em sua abordagem terapêutica denominada Experiência Somática.

Nestas eleições, percebi que as estratégias de defesa diante dos seus resultados, são semelhantes às utilizadas pelos animais. Os animais quando se encontram diante de situações de ameaça, fogem, quando percebem que o risco de sucumbir é alto; lutam, quando percebem que existe a possibilidade de sobreviver ou se congelam, se fingem de morto, quando percebem que o risco de morrer é elevado.

Depois que o seu predador se retira, acreditando que ele está morto, a presa se sacode, integra o ocorrido e segue o seu caminho. E é exatamente esta sacudida que permite o seu sistema nervoso descarregar e o trauma não se instalar.

Pois bem, tenho observado que muitos eleitores diante dos resultados das urnas, estão deixando o país, em um movimento de fuga, outros estão entrando na energia da guerra, e esta é a mais perigosa pois entra na disputa do “matar ou morrer”, agem mais pelo instinto e outros estão completamente imobilizados, o que também é um risco pois é aí que o trauma se instala.

Cada qual deve buscar a estratégia que acredita ser mais benéfica e que lhe traga mais segurança. No entanto, se saio do país esse bicho do qual estou fugindo em algum momento vai me pegar. Pois, ao deixar as minhas relações afetivas deixo-as vulneráveis aos riscos que não quis viver e isto de alguma forma vai reverberar em mim.

Se luto e opto pela agressividade e violência para me defender, me coloco em situação de risco e posso morrer.

Se fico imobilizada eu travo o meu sistema nervoso, não tomo contato com a realidade e faço de conta de que nada está acontecendo, o que se constitui em um perigo pois uma hora tudo que foi “disfarçado” será revelado. Você pode vir a ter um ataque de nervos, entrar em pânico, existem várias formas de manifestação.

No entanto, se opto por observar o que está acontecendo e principalmente como o meu corpo reage ao que está acontecendo, posso permitir e autorizar o meu sistema nervoso a descarregar.

E como estas descargas se manifestam no meu corpo? Podem se manifestar com um choro, com tremores, com bocejos, com uma daquelas respirações que vêm do fundo da nossa alma que até soltamos o ar pela boca….

Se assim agirmos vamos perceber que podemos trazer a paz para o nosso interior e tomar atitudes com mais segurança e com a possibilidade de ter resultados mais efetivos.

Experimente!

Artigo publicado no jornal Diário de Ilhéus em 10/11/2018 e no blog do Thame.

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