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Quando as máscaras caem

Tomemos a vida como um grande teatro, onde encontramos diversos personagens conforme a trama vivida.

E eis que convidados a assumirmos o nosso papel na vida, escolhemos a melhor máscara que nos cabe, pois afinal de contas, na grande maioria dos casos, assumirmos quem somos nos gera uma série de crenças distorcidas como: “serei abandonado”, “não serei aceito”, “não serei amado”, pois, o preço a pagar é muito alto e não estou disposto a abrir mão disso ou daquilo”. Tudo isto de forma bem inconsciente.

Uns acreditam que o amor é a melhor máscara, outros o poder, outros a serenidade, e a diversidade é imensa.

O amor é, muitas vezes, a melhor forma de resolvermos os problemas que nos afligem e a submissão também. Nos tornamos meigos, obedientes, bonzinhos para sermos amados e cedemos aos desejos dos outros para termos os nossos desejos atendidos. Um jogo bastante interessante e quando descoberto é preenchido pela vitimização tipo: Eu faço tudo por você! Eu abro mão das minhas coisas para fazer as suas. Eu não mereço isto.

Por traz da máscara do amor, está o orgulho, a vergonha, a agressividade e a raiva também é encontrada.

Quando a máscara do amor não nos convém, usamos a do poder. Pois com ela acreditamos que somos respeitados pela posição que ocupamos, nos sentimos independentes (balela), autosuficientes, “donos do nosso nariz”.

Com ela nos despreocupamos se fulano é bom ou é ruim, mas se nos sentimos queridos e idolatrados já é o suficiente.

Se nem a máscara do amor e nem a do poder nos cabe, resta a da serenidade, que alguns podem chamá-la de espiritualidade. Com ela acreditamos que encontramos a paz, que devemos a todos amar e que nada neste mundo nos afetará. Até que…..

Vem a óbito o neto de um ex-presidente e é o suficiente para as redes sociais derrubarem todas as máscaras. Ofensas e desrespeitos, desqualificações de todos os tipos vem à tona, revelando o quanto esta máscara pesa sobre o nosso ser. Quanto orgulho e hipocrisia ela encobre.

Com a maturidade aprendemos que as máscaras estão aí para serem postas quando acharmos conveniente e que sejam postas de forma consciente.

Penso ser desta forma que podemos ir aos poucos retirando cada uma delas e nos revelando de forma mais humana.

Com a maturidade aprendemos que nos cabem todas as máscaras, pois todos esses sentimentos, da raiva, do amor, da impaciência, do medo, do orgulho, da hipocrisia fazem parte da nossa essência.

Faz parte da nossa constituição um cérebro reptiliano, límbico, o neocortex, e o cérebro pré-frontal que permitem-nos acessar os nossos instintos, as emoções, nosso livre pensar e o divino que existe em nós.

A diferença é que, cada vez que vamos descobrindo os nossos aspectos sombrios, podemos de forma consciente trabalhar todos eles. Sem negar. Olhando para cada sentimento que nos toma e compreender o que de fato revela.

Precisamos do autoconhecimento. Somos Humanos! Às vezes amorosos, às vezes poderosos, às vezes serenos, às vezes impacientes, às vezes com raiva. Assim somos nós.

Precisamos nos defender quando realmente formos ameaçados de morte. Amar se eximindo de julgamentos. Desenvolver, cada vez mais, a nossa capacidade de refletir, compreender as coisas e ir acessando o divino que existe em nós.

Aprendi também que nem todos nós podemos variar de máscara. Congelamos com uma só, pois, tirar a máscara é como se tirar a bengala de um idoso. Insustentável.

Sejamos conscientes.

Artigo publicado no jornal Diário de Ilhéus em 8/03/2019 e no blog do Thame em 16/03/2019 http://www.blogdothame.blog.br/v1/2019/03/16/quando-as-mascaras-caem/#more-87794

2 comentários

  1. Então,pelo que li,todos nós somos Mascarados COLETIVO?Ah..Tá!!Revisitando Augusto Comte,pensador francês do séc XVIII: “A única verdade absoluta é que tudo é relativo”.A verdade dói,mas valeu à pena ter sido pontilhada tão bem no seu texto:Isso aqui é um Teatro,e cumprimos O personagem,(Do Grego,persona,personare,falar através da máscara,lembrando o saudoso mestre do Ginasial,Prof° de Latin,Adolfino Ferreira da Cunha).Parabéns!!!

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