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Ainda sobre a inclusividade.

Em junho escrevi um artigo sobre a inclusividade. Uma reflexão sobre a necessidade de incluirmos outras possibilidades que não as já conhecidas. Falei sobre as nossas incertezas e a nossa interdependência.

No artigo trouxe a história do conflito que vivia para incluir um gato que pertencia ao vizinho e que se recusava a ficar com o seu dono e me pedia comida todos os dias. E acontece que já tenho um gato que assim como eu delimitava o seu território dizendo: aqui não.

Pois bem, ao final do artigo me comprometi a relatar qual foi o final desta história. Se incluí ou não este gato em minha casa.

Entre tapas e beijos venho percebendo que o amor cada vez mais precisa ser o regente das nossas relações com todos os seres pertencentes ao nosso planeta. Com o amor teremos resultados certeiros.

Tenho aprendido também, que para amar é necessário uma série de coisas como a paciência, respeito, confiança e entrega. Muitas outras coisas sei que são necessárias e para mim essas são fundamentais.

Eu resolvi deixar com o meu gato Nino a decisão final. Resolvi aceitar dentro de mim a possibilidade do novo gato fazer parte da casa e hoje alimento ele, dou água, uma casinha na varanda onde ele dorme, dei remédio contra vermes e falta vacinar.

Tomada esta decisão, e percebendo que eu não mais brigava com Zequinha, o candidato a novo membro da casa, Nino (meu gato) ficou mais calmo. Todas as vezes que Zequinha entrava em minha casa, eu apenas observava. E Nino o acompanhava e ele dava uma andada pela casa e se retirava como se dissesse: ainda não.

Um certo dia, Zequinha estava do lado de fora da varanda, de costas para a porta da cozinha. Ao vê-lo, Nino parou a uma certa distância e sentou-se de frente às costas de Zequinha. Quando percebeu, Zequinha entrou pela porta e parou a uma certa distância de Nino e os dois ficaram a se olhar. Eu, de observadora, percebi que algo estava acontecendo entre os dois, e deixei que se resolvessem, apenas dizendo a eles que buscassem ser amigos.

Nino se retirou depois do olho no olho e  Zequinha aproveitou para entrar e ir lá no prato de Nino comer um pouco. Nino apenas observou e, quando Zequinha saiu, foi lá no prato dele e como não tinha comida, bebeu da sua água. E assim percebi que algo estava acontecendo. Já estavam se aproximando.

Depois disso viajei e passei quase quinze dias fora. Soube que Zequinha, logo depois que viajei, desapareceu. Foi para a propriedade do vizinho que fica perto. Diziam que havia se apaixonado por uma gata.

Quando retornei, Nino estava muito chateado comigo, ao mesmo tempo em que me pedia carinho me mordia com raiva. Ele sempre fica assim quando viajo. Como se dissesse: Você me largou aqui sozinho. Tenho uma pessoa que cuida dele quando eu viajo e sei que para ele não é a mesma coisa.

Sabem o que aconteceu no dia que cheguei? Acreditem! Zequinha retornou e a confusão recomeçou. Zequinha brigou comigo pelas mesmas razões de Nino. Rs

Agora, vamos começar tudo de novo. Amor, paciência, atenção e uma hora eles se incluem. Eu entreguei a eles a resolução de tudo isto.

Parece uma conversa de doido. E não é. Os animais e os gatos particularmente são muito inteligentes. Dizem que quem não se relaciona com o próprio inconsciente não convive com um gato. Que ele faz a nossa radiografia e percebe o que está por dentro e por fora. É um animal muito ligado a espiritualidade. Relaciona-se com a nossa essência. Se relaciona com o que está oculto. Portanto, nos ensinam bastante. Principalmente a ter paciência, atenção, o silêncio e os mistérios.

O gato é muito íntegro e verdadeiro. Com ele não há meias verdades. Ou é ou não é.

De novo lhe convido a uma reflexão. O quanto você inclui você mesmo em sua vida? Ou você vive a vida que o outro quer que você viva?

Até mais!

Artigo publicado no jornal Diário de Ilhéus em 12 de julho de 2019.

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