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Como pode?

Além de terapeuta sou, também, agricultora e busco honrar os meus ancestrais que foram pioneiros na lida com o cacau na região do Sul da Bahia. E sendo uma apaixonada pelo cacau e pelo chocolate,  em 2013, quando morava em Salvador, adquiri uma minifabriqueta de fazer chocolates. Queria fazer algo diferente.

Conheci o finado Adeir Boida, também produtor,  que na época era o representante da Cocoatown, empresa americana, que fabricava esta máquina de elaboração caseira de chocolates. Passei seis meses, após a compra do que parecia para mim um “bicho papão”. Não sabia como mexer e tinha medo de quebrar algo muito desconhecido para mim.

Na época estava fazendo parte de encontros promovidos pelo SEBRAE sobre o planejamento estratégico do cacau, onde encontrei o Adeir Boida e outros produtores. Empolgada com a máquina de fazer chocolates, a recomendei a outro produtor que imediatamente comprou e na reunião seguinte trouxe os seus chocolates para saborearmos.

Assistindo ao meu movimento, Adeir me perguntou se eu não tinha vergonha de recomendar a máquina e nunca ter usado a minha sob risco de não funcionar mais visto o seu desuso. Foi então que me apavorei e pedi que me fornecesse alguns grãos de cacau de qualidade já que ele havia sido premiado no festival de Paris.

O nosso primeiro chocolate jamais esquecemos. Saiu maravilhoso, recebi elogios do meu grande incentivado, o Adeir, que foi quem me orientou desde o início.

Parecia que estava cuidando de uma criança. Aprendendo a lidar com a máquina a cada dia, e tinha noites que não dormia com medo da máquina parar. Para fazer um chocolate de qualidade a máquina fica em funcionamento cerca de 24h.

Durante esta fase de aprendizado e insônias, passei a me inspirar e fui agraciada com algumas poesias cujo tema era o chocolate. Hoje são em torno de 19 poesias e uma delas, a intitulada “Como Pode” foi premiada no I Concurso Literário de Cultura Popular Declaração de Amor ao Chocolate no 8º festival internacional do chocolate e cacau da Bahia, em 2016, realizado pela CASAR – Casa da Cultura Popular.

Reproduzo abaixo, aproveitando que esta semana estamos na 11º festival internacional de chocolate e cacau da Bahia:

COMO PODE?

Como pode uma semente

Tão assim virar magia

Como ouro que se toca

E te enche de alegria

Ouro em pó

Que certo dia

Levou toda alegria

Lá da noite para o dia

Virou bruxa

Virou nó

Ę ninguém imaginava

Que o nó se desatava

Para assim virar de novo

Fruto ouro da alegria

Era ouro e virou pó

Do Amarelo ficou negro

A vassoura que te bate

Transformou-se em chocolate!

Artigo publicado no jornal Diário de Ilhéus em 19/07/2019

um comentário

  1. Eulina,eu sou estranho e forasteiro.Sertanejo sim…Senhor!!Por quê,então,meter o bedelho em algo que desconheço?Por livros e histórias sei que foi uma tal CEPLAC,com uma Eminência Parda da Política Local,que de Foice e Martelo,tal qual um Bruxo,sobre uma Vassoura Original,varreu o progresso local,da cultura do Cacau.

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