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Óleo no Óleo quero ver o que você diz.

Esta semana uma dor profunda invadiu o meu corpo juntamente com uma falta de ar. A cada notícia que lia a respeito da chegada do óleo nas praias do Nordeste, e  da mobilização de amigos e conhecidos, principalmente na região Sul da Bahia, um suspiro, um choro e uma tristeza tenta tomar conta de mim. Quem me conhece sabe que é apenas uma tentativa. Assim que me recuperar estarei à postos.

Durante as minhas caminhadas na floresta converso com Deus, pois acredito que existe Algo Maior, uma energia que nos ampara e nos acolhe e que precisamos confiar e entregar diariamente. Estou aprendendo a fazer isto.

E pergunto a ele, qual a função disso, pois a lamentação não resolve esta séria questão. Para quê precisamos de mais isso, visto que o nordestino é um povo cheio de desafios em sua lida, corajoso e resiliente? Apesar de recebermos críticas e ironias com brincadeiras de pouco, para não dizer nenhum, respeito denominando-nos de preguiçosos, isto é algo que a mim não afeta pois construímos uma grande cidade chamada São Paulo. Uma cidade que tem uma identidade que se chama Brasil, diante da sua diversidade de origens que lá se encontram.

Para quê? O que precisamos aprender. Fico muito preocupada com o risco da contaminação da nossa água se esse óleo chegar aos rios. Como será? O que pode acontecer?

Quantos pescadores e marisqueiras estão angustiados e preocupados com a sua sobrevivência? Quantas famílias estão sendo impactadas diretamente neste momento? É muito sofrimento e desafio.

A nossa fauna e flora marinha sendo devastada com total desrespeito e descaso. Penso que a nossa Grande Mãe deve estar muito assustada com este bicho chamado Homem.

É fato que a falta de providências em tempo hábil vem causando danos irreparáveis.

E, volto a perguntar a  Algo Maior se vamos nos alimentar de luz como alguns já preconizam. Será  que agora ou nunca mais,  precisamos perceber que só vamos juntos e que isoladamente ficará impossível lidar com os nossos desafios, cada vez mais, eminentes?

Será que as nossas células serão convidadas a serem cada vez mais resilientes e vamos perceber que o nosso poder de auto-cura existe? Pois, para lidar com tamanha desestruturação do nosso ecossistema que irá se manifestar por meio de diversas doenças, diante de um sistema de saúde caótico, seremos nós que precisaremos dar conta de nós mesmos.

Ainda não ouço respostas claras e quero confiar de que apesar de óleo no óleo, algo me diz de que em vinte minutos tudo pode mudar. Só não sei ainda, o que será.

Algo me diz que vamos ressignificar muitas coisas, vamos ver com novos olhos. Algo me diz que vamos nos unir e fazer uma voz uníssona reverberar mundo afora de que o nordestino é “bicho bom”, que vai em frente, que dá respostas, que não deixa as coisas ficarem do jeito que estão. Nós vamos à luta e sigo com Gonzaguinha que diz:

Eu acredito é na rapaziada,  que segue em frente e segura o rojão. Eu ponho fé é na fé da moçada,  que não foge da fera e enfrenta o leão.
Eu vou à luta com essa juventude,  que não corre da raia a troco de nada. Eu vou no bloco dessa mocidade, que não tá na saudade e constrói
a manhã desejada!

Aquele que sabe que é negro o coro da gente, e segura a batida da vida o ano inteiro. Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro e apesar dos pesares ainda se orgulha de ser brasileiro.
Aquele que sai da batalha, entra no botequim, pede uma cerva gelada e agita na mesa logo uma batucada.
Aquele que manda o pagode e sacode a poeira suada da luta e faz a brincadeira, pois o resto é besteira!

E nós estamos pelaí…

E agora olho no olho e quero ver o que você diz!

Artigo publicado no jornal Diário de Ilhéus em 01/2/2019 e no blogue do Thame em 02/11/2019 em: http://www.blogdothame.blog.br/v1/2019/11/02/oleo-no-oleo-quero-ver-o-que-voce-diz/#more-96254

um comentário

  1. Eulina,que lindo comentário!!Eu,antes de ser médico,trabalhei na Área Petroquímica,(07 anos),e sei como ninguém dos malefíicios que a família dos Hidrocarbonetos provoca na saúde humana.Vi colegas definharem pela sua contaminação,por doença Leucêmica e por Angiossarcoma Hepático.Esse Óleo Bruto,sem refinamento,obedece aos estágios de pureza nas refinarias até dele se tirar o Ouro,que é a Gasolina e outros derivados mais leves.Ele,na sua Origem,(Bruto),é chamado cá entre nós de BPF E APF,(Baixo Ponto de Fulgor e Alto Ponto de Fulgor),ou seja,precisará de mais(+) ou menos(-) calor para entrar em combustão.Esse que está chegando às nossas praias é o Pior deles,e para desencrustá-lo das pedras dos nossos Arrecifes,vai precisar,sem exageros,do Calor dos maçaricos de Acetileno.Já vejo,na minha visão, um Alerta para Coisa Pior:A queda na Cadeia Produtiva de Vidas Marinhas,em nosso meio.

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