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Em nome do pai

Hoje eu escrevo em nome do pai. E é sempre mais desafiador escrever sobre o pai. A mãe todo mundo fala. É um nome doce. Mãe, mainha, mãezinha. Mãe é aquela que carrega o filho por 9 meses, e cuida e cuida.

E o pai? Eu estou aqui para falar do pai.

O pai é aquele que foi criado para ser o homem e, portanto, não podia chorar. O pai é aquele que por ser homem, precisava suportar as suas dores calado. O pai é aquele menino que precisava aguentar o tranco, pois era homem.

O pai nem sempre aprendeu a abraçar, pois não tinha boneca. Não aprendeu a expressar os seus sentimentos, pois brincava de bola e se apanhasse na rua, apanhava em casa.

Este é o pai. O pai é a criança que cresce e é convidado a ninar, às vezes a dar a mamadeira, outras vezes a trocar fralda e por vezes, se vê desesperado e foge. Se desespera e nega ou abandona, sem nem saber que mistura de sentimentos é esta, pois ele, o pai, em sua grande maioria, não aprendeu a sentir.

O pai às vezes, também não teve pai, e por não tê-lo não sabe ser pai.

Com tudo isto, ainda há pais privilegiados, que aprenderam a chorar, a abraçar e a cuidar. Enfim, estes são os pais.

E cada um teve e tem o pai que precisa ter. Cada um tem e teve o melhor pai que a vida lhe ofertou.  

Cada um de nós, escolhe e é escolhido pela família que temos. Quer você goste ou não.

O pai, tal qual a mãe e com a mãe, foi quem lhe gerou. Quer você aceite ou não.

Se você ainda tem dificuldades de se relacionar com o seu pai, aproveite este dia, para olhar para ele com toda a compaixão que houver no seu coração e se perdoe pelo tempo que perdeu guardando mágoas.

Pare de perder o seu tempo. A vida que recebeu do seu pai está aí te esperando para ser vivida. E enquanto você ficar olhando para o que o seu pai deixou de lhe dar, e esquecer de reconhecer aquilo que ele lhe deu de mais precioso que há, que é a Vida, você vai ficar parado ouvindo a banda passar.

Graças a Deus, a maturidade me deu a sabedoria para honrar o meu pai com mais consciência e, mesmo do outro lado, ele poder ouvir:  obrigada pai, por tudo que sou e pelos valores que aprendi com você! Onde você estiver saiba que eu te amo e te honrarei.

Em nome do pai, do filho e do Espírito Santo. Amém.

Eulina Menezes Lavigne é mãe de três filhos, escritora, poetisa, administradora, empreendedora de impacto social, agricultora orgânica, terapeuta clínica, consteladora familiar há 17 anos, trabalha com trauma utilizando a técnica, naturalista e psicobiológica, SE – Experiência Somática.

Para entrar em contato clique no link:

http://bit.ly/WhatsEulina

4 comentários

  1. Comentar essa Pérola de Crônica é gratificante.Mas é perigoso,porque corre-se a possibilidade de deixar passar despercebida toda a sua essência,nos seus mínimos sutis detalhes.Eu só conheci a figura máscula do meu Pai até aos 11 anos,pois ele faleceu num grave acidente.Era comerciante,viajante,que vivia em cima das carrocerias de caminhão,para trazer o feijão,a farinha e a carne para dentro de casa.Trabalhava de domingo a domingo,como autônomo.Bastou esse curto tempo de convivência para,aos 70 anos,médico,voltar ao tempo,e enxergar a sua Grandeza e o seu Legado.Quando ouço a música Retrovisor,do Raimundo Fagner,confesso:Não me controlo muito.Bate uma saudade danada,da minha Casinha de Barro Batido no Agreste Sertão Baiano.Vejo naquele Cenário a Fig.do meu Pai,chegando das suas viagens,cheio de malas,sacos e embrulhos.😍😍😪😪

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