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A dor do abandono

A pouco tempo falei aqui sobre as dores, o corpo e o amor. E hoje quero trazer esta dor que faz parte de todos nós, e mesmo que não percebamos, em algum ponto do nosso corpo ela se faz registrada. A dor do abandono.

Nem quero dar conta das nossas outras existências, para quem acredita nelas. Esta já é o suficiente para iniciarmos o nosso processo de consciência sobre esta dor.

Quero te lembrar que me eximo de verdades absolutas e trago a possibilidade para refletirmos sobre. E quando reflito sinto um impulso de expandir este processo com outras pessoas. Para uns pode ser que faça sentido e para outros pode ser uma simples balela. Lhe deixo muito à vontade para fazer as suas escolhas.

Essa reflexão partiu da minha experiência. Acometida por uma leve fratura em minha coluna fui convidada a lidar com as minhas dores e olhar para elas, para os momentos que me senti abandonada. E confesso que foi um grande desafio. E é importante dizer, que independente de olhar para as minhas dores, reverenciá-las e compreender de onde vieram, eu fui a profissionais que me ajudaram em minha recuperação.

Não fazemos ideia das memórias que guardam o nosso corpo. Das dores que ele vem silenciando ao longo da nossa existência, e um belo dia o corpo sente vontade de extravasá-las, de lembrar para nós um pouco das histórias vividas e, muitas vezes, abafadas. Sim, porque é isto que fazemos quando há fatos difíceis de suportar. Então vem aquele velho comando “abafa o caso”. Abafa o caso pois não quero saber, não quero viver isto e muito menos que ninguém saiba disto.

Ahhh. a curto prazo pode ser uma boa estratégia. No entanto, a médio e longo prazo, em um determinado momento tudo vem à tona.

O nosso corpo nos chama para liberar este peso que carregamos e que a idade já não nos permite suportar. Além do que a nossa maturidade e sabedoria ancestral nos dá um suporte para podermos olhar com amorosidade. E quando olhei, amorosamente,  para as minhas dores fui percebendo que foram diminuindo.

O corpo fala dos abandonos que passamos. Preste atenção onde no seu corpo está a dor. Que pode ter sido provocada por uma torção no pé, uma fratura no braço, na mão, nos joelhos. E faça uma correlação do local onde esta dor se expressa com a sua vida. Por exemplo, os pés com a sua caminhada, sua dificuldade de andar com os seus próprios pés; os olhos, de enxergar; a coluna de sustentar; os joelhos de reverenciar. Examine se o que eu estou dizendo faz sentido para você.

A nossa criança interior faz muitos registros, principalmente no que diz respeito ao abandono dos pais. Seja porque faleceram precocemente, ou se separaram quando éramos pequenos e nos sentimos sós, enfim, por diversos motivos. Então, a criança sai do lugar da criança e vai para o lugar de um culpado ou de um juiz. Não faz ideia do que acontece entre quatro paredes entre um homem e uma mulher, os desentendimentos e os entendimentos.

E a nossa criança interior precisa se dar conta de que ela não tem nenhuma relação com estas desavenças  e que os pais, por imaturidade,  raiva e uma série de sentimentos que afloram quando uma relação de casal não está bem, envolvem ela neste emaranhado como se os filhos fossem a sua tábua de salvação.

A criança deve deixar com os pais tudo isto e tomar a vida que deles receberam e honrá-la.

Os nossos pais fazem  o que está ao seu alcance fazerem. E, provavelmente este ciclo que a nossa criança interior vivencia, a criança interior dos nossos pais vivenciaram também. Porque todos nós desejamos ser amados. A nossa criança morria de medo da desaprovação dos nossos pais, da rejeição deles pois garantir o seu amor era garantir a sua sobrevivência. A sensação para uma criança, se perde o amor dos pais, é que vai morrer por falta de cuidados.

E hoje quero te lembrar que você já é um adulto, que pode olhar para a sua criança interior e dizer: já passou, eu estou aqui, vivinha. Deixo com os meus pais tudo que era de responsabilidade deles e sigo o meu caminho, honrando o que mais de precioso recebi deles. a VIDA. E faça da sua vida o melhor que puder. Por eles e todos aqueles que virão depois de você!

Artigo publicado no Diário de Ilhéus, como título Acolhendo o abandono, em 30 de outubro de 2020.

Eulina Menezes Lavigne é mãe de três filhos, escritora, poetisa, administradora, empreendedora social, agricultora orgânica, terapeuta clínica, consteladora familiar há 16 anos, trabalha com trauma utilizando a técnica, naturalista e psicobiológica, SE – Experiência Somática.

Para entrar em contato clique no link:

http://bit.ly/WhatsEulina

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