Quem não conta desconta! Primeira Parte.

Esse é apenas um pequeno resumo sobre o seu blog.

 

É importante saber da necessidade de desenvolvermos uma escuta sensível com as nossas crianças. E desenvolvermos a escuta, significa identificar o que de fato está por trás de um comportamento.

Durante um período da minha vida fui diretora de uma escola. Tempos  de grande aprendizado com o sistema familiar. Lembro-me que no meu primeiro dia de trabalho deparei-me com um educando, com cerca de 10 anos, que foi levado à minha sala por ter agredido um colega. E, assim que chegou, terminou de descarregar a sua raiva derrubando tudo que estava à minha mesa, além de riscar as paredes.

Eu apenas o observava com o sentimento da compaixão, desejosa de entender de onde vinha tamanha raiva. E aproveitando da energia da realização que a raiva nos proporciona, solicitei a ele que devolvesse tudo ao seu lugar e que apagasse tudo que havia riscado na parede com a mesma intensidade que riscou. E assim foi feito. Até que ele se cansou.

Quando percebi a sua respiração muito ofegante, convidei-o a respirara comigo. Não a respiração descompensada, no alto do peito, e sim a respiração que nos leva ao centro do nosso Ser. E como era uma criança, fomos brincar de amarelinha respirando. Antes de pular, inspirávamos, ampliando a barriga e quando aterrissávamos no chão expirávamos, encolhendo a barriga. E, brincando, fomos nos conhecendo, estabelecendo uma relação de confiança e fizemos um acordo. Sempre que ele sentisse  a vontade de bater nos coleguinhas, deveria vir à  minha sala para respirarmos juntos. E assim fomos caminhando. Durante as nossas conversas, descobri que os pais haviam se separado recentemente.  E, como o pai era a pessoa mais presente na relação com a escola, resolvi perguntar o que fazia que mais aborrecia o pai. E a resposta veio de pronto: “Ah diretora. É quando eu saio com ele nos finais de semana e peço para comprar tudo que vejo.” Cabe aqui relatar, que essa queixa, já tinha sido trazida pelo pai. Que não se sentia amado e sim usado.   Então expliquei, que a minha pergunta se referia ao espaço escolar. E perguntei novamente: o que você faz , na escola, que mais chateia o seu pai? Ele, de pronto respondeu: “Ele fica muito chateado quando é chamado pela escola por eu ter batido em algum colega.” Foi então que entendi o seu movimento. Naquela criança, havia, inconscientemente, um desejo de devolver ao pai a dor que estava sentindo com a separação. E então eu perguntei: E quando você faz isso a quem mesmo você machuca? E com os olhinhos cheios de lágrimas ele me respondeu: “Eu machuco a mim diretora”. E então eu abracei-o e perguntei  o que ele podia fazer de diferente. E o seu silêncio me trouxe a compreensão da importância de ajudarmos as nossas crianças a expressarem a sua dor e falarem sobre ela. Pois, quando a gente não conta o que sente a gente desconta. E termina, também,  descontando na gente!

Essa criança, amadureceu tanto com a sua dor, que tornou-se um exemplo de disciplina na turma do ano seguinte, como repetente.

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